Décima maior farmacêutica do país no ranking de vendas em unidades no varejo, a União Química se prepara para comprar um ativo no setor, em uma operação que poderá resultar na chegada de um novo sócio à empresa. Já existem conversas em andamento, garante o controlador do laboratório, Fernando de Castro Marques, e um negócio deve ser fechado ainda em 2016. É justamente o tamanho dessa operação que vai determinar a necessidade de entrada de um novo acionista e a fatia que lhe caberá no laboratório. Também por causa dessa variável é possível que a União Química não tenha de recorrer a um fundo de private equity para levar adiante a aquisição, sobretudo após o recebimento de um pagamento em dinheiro pelo descruzamento acionário da empresa com a Biolab, outra grande farmacêutica nacional.

Há pouco mais de um mês, Fernando e seus irmãos Cleiton e Paulo colocaram fim à disputa societária que envolvia a União Química e a Biolab. A briga se arrastou por oito anos e os irmãos, que tinham participações cruzadas nos dois laboratórios, chegaram a um acordo definitivo que deu a Cleiton e Paulo uma fatia final de 80% da Biolab (da qual já eram controladores) e, a Fernando, uma participação de 88% na União Química ­ outras duas irmãs, Cleide e Cleita, seguiram com 12% na empresa. Como parte do acerto, Marques recebeu uma quantia em dinheiro, não revelada, pela diferença de valor dos dois laboratórios.

Esses recursos poderão ser aplicados na aquisição desejada. Comprar ativos para ganhar musculatura não é uma novidade para a farmacêutica. Nos últimos anos, a União Química comprou o laboratório Bio Macro (de similares e medicamentos isentos de prescrição), a Tecnopec (que marcou sua entrada no mercado de reprodução animal assistida), a Bthek (de biotecnologia voltada ao controle de pragas agrícolas) e, mais recentemente, uma fábrica que pertencia à Novartis em Taboão da Serra (SP). A crise econômica no país, na avaliação do empresário, abriu boas oportunidades de compra, embora os ativos ainda estejam valorizados. “Vale a pena olhar”, diz.

O negócio de genéricos, que pode ser palco de grandes operações de compra e venda, não está no radar, acrescenta. O fundo americano General Atlantic está acompanhando os passos do laboratório ­ conversas em curso são protegidas por acordo de confidencialidade ­ e já demonstrou interesse em ser investidor. Mas não há acordo de exclusividade e a União Química está aberta a conversar com outros fundos que possam ter interesse em investir no laboratório. A saída da sociedade ocorreria em 2018, em uma oferta inicial de ações. Laboratório está investindo R$ 40 milhões em fábrica dedicada a produzir medicamentos para terceiros Neste momento, conta o empresário, os ativos em análise vão de R$ 1 milhão a mais de R$ 400 milhões. Nessa faixa de R$ 400 milhões, conforme Marques, a aquisição seria fechada sem a necessidade de capital novo. “Estamos avaliando algumas alternativas [de compra], entre empresas e fábricas, tanto na área de saúde humana quanto em veterinária”, afirma.

Hoje, cerca de 16% do faturamento da farmacêutica, que alcançou R$ 1,02 bilhão no ano passado, corresponde à área de saúde animal ­ e da divisão, 28% são provenientes do segmento de animais de estimação (pets). A principal divisão, responsável por 30% dos negócios, é a hospitalar, segmento em que as vendas para clientes privados têm compensado a redução das compras públicas. Já o principal produto da farmacêutica é o anticoncepcional Ciclo 21, que em seu segmento concorre com o Microvlar, da Bayer, e tem participação de mercado de 61%. Mas o foco, segundo Marques, é crescer em todos os segmentos, passando por medicamentos de prescrição, isentos de prescrição (OTC) e hospitalar. “Sem contar a prestação de serviços, que se tornou um negócio importante”, diz.

Nesse sentido, ao mesmo tempo em que busca oportunidade de aquisição, a União Química está investindo R$ 40 milhões na Anovis, que compreende a fábrica de medicamentos comprada da Novartis em 2015. A produção na unidade é integralmente dedicada a terceiros, incluindo a farmacêutica americana, e tem capacidade ociosa que poderá ser ocupada por outros contratos. Em 2016, as receitas com essa unidade devem chegar a R$ 200 milhões, contra R$ 140 milhões no ano passado, diz Marques. Com o investimento, o total de empregados na fábrica de Taboão da Serra passará de 600 para 1 mil até o primeiro trimestre do próximo ano e a unidade assumirá a liderança isolada como maior empresa de terceirização de produção de medicamentos no país. Atualmente, a unidade produz 600 milhões de comprimidos por ano e está apta à fabricação de mais 2,1 bilhões de comprimidos. Com os aportes em expansão de capacidade, melhorias de sistemas e de processos e modernização de instalações, a unidade contará com uma nova área de injetáveis e liofilizados.

Fonte – Valor Econômico – São Paulo

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