Oito das dez maiores farmacêuticas do mercado brasileiro produzem genéricos e quatro entre as cinco maiores nesse ranking são também líderes nas vendas desse medicamento no país, segundo dados da consultoria IMS Health. Desde 1999, quando foi regulamentado, a aposta em genéricos, cujo consumo cresceu quase cinco vezes em 17 anos, deu o tom à evolução do setor no Brasil.

“A chegada dos genéricos trouxe uma revolução ao mercado farmacêutico”, diz Telma Salles, presidente­executiva da Pró­Genéricos, entidade que representa essa indústria. Maior laboratório segundo o ranking da IMS, o brasileiro Aché tem hoje 15% de seu faturamento proveniente da venda de genéricos, que entraram em seu portfólio com a aquisição da Biosintética em 2005. A EMS, vice­líder, é hoje a maior fabricante de genéricos do país. Na quarta colocação do ranking geral, atrás da Sanofi ­ que é dona da Medley, segunda maior fabricante de genéricos­, a Eurofarma é a terceira maior no segmento de genéricos.

Já a Neo Química, da Hypermarcas, é a quinta maior em operação no Brasil e quarta em genéricos. De 1999 para cá, segundo levantamento da PróGenéricos, o volume de vendas desses medicamentos no país cresceu 343%, enquanto o mercado farmacêutico em geral, sem considerar os genéricos, avançou 242%. “Mais gente passou a cuidar da saúde a partir do acesso ampliado a medicamentos”, diz Telma. Em boa medida, o maior acesso deveu­-se ao preço dos genéricos. “É uma economia real para a população, independentemente do momento econômico.”

Levantamento da PróGenéricos mostra que os consumidores economizaram R$ 72 bilhões nos últimos 17 anos com a compra de genéricos, considerando­-se o desconto mínimo de 35% frente ao preço do medicamento de referência. Se considerado nesse cálculo o desconto médio de 60% oferecido nos últimos cinco anos, essa economia supera R$ 120 bilhões. O caminho dos genéricos, porém, não foi fácil. Inicialmente, diz a executiva, havia pouca informação sobre esse medicamento, o que gerou desconfiança no mercado. Hoje, o portfólio é composto principalmente por medicamentos de uso contínuo, o que demonstra a eficácia em relação aos produtos de referência.

Levantamento recente mostra que os genéricos ampliaram o acesso, por exemplo, a produtos para tratamento do câncer. Conforme a PróGenéricos, no conjunto de produtos para essa finalidade em que há versões genéricas, houve alta de 80% no volume comercializado. E os genéricos respondem por quase metade das vendas. No Brasil, os genéricos representam cerca de 30% das vendas totais, em unidades, de remédios, enquanto em mercados desenvolvidos, como Europa e Estados Unidos, essa fatia chega a 80%.

Fonte – Valor Econômico

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