A Pfizer acertou ontem a compra da companhia de biotecnologia Medivation por cerca de US$ 14 bilhões, medida que proporcionará à carteira da companhia farmacêutica americana uma das joias da coroa do multibilionário mercado de medicamentos de combate ao câncer. O acordo encerra meses de lances pela Medivation, cuja sede fica em San Francisco e é uma das mais desejadas companhias independentes de biotecnologia, por ser dona de um dos medicamentos de combate ao câncer de próstata mais vendidos.

A Pfizer pagará US$ 81,50 por ação, um ágio de 21% sobre o preço de fechamento da ação da Medivation na sexta-feira. As ações da Medivation subiram quase 20% ontem, para US$ 80,41 no pregão da manhã em Nova York, enquanto o preço da ação da Pfizer caiu 5 centavos de dólar, para US$ 34,86. O medicamento da Medivation, chamado Xtandi, já gera cerca de US$ 2 bilhões em vendas anuais e segundo analistas tem potencial para dobrar esse número.

A Pfizer disse que o negócio acrescentará 5 centavos de dólar aos lucros do primeiro ano cheio após sua conclusão, que ele não deverá afetar suas diretrizes financeiras de 2016. A Pfizer disse que pretende financiar a transação com recursos próprios. Se a aquisição não for concluída, a Medivation poderá pagar à Pfizer uma taxa de anulação de US$ 510 milhões, segundo consta em documentos encaminhados às autoridades reguladoras. A notícia de que o negócio era iminente foi veiculada no domingo.

A Pfizer vem tentando ampliar sua linha de tratamentos oncológicos e o Xtandi dará à companhia de Nova York uma vantagem na área de tratamentos contra o câncer de próstata, complementando o Ibrance, seu medicamento de combate ao câncer de seio, que caminha para ser um grande sucesso de vendas.

Os medicamentos que a Medivation está desenvolvendo também poderão complementar os esforços da Pfizer no desenvolvimento de combinações de agentes que causam o câncer com as chamadas imunoterapias, que usam o sistema imunológico no combate ao câncer.

A aquisição vai reforçar os esforços de Ian Read, o executivo-chefe da Pfizer, para reforçar o que ele se refere como lado inovador dos negócios da companhia. A medida “acelera nossa estratégia de acordo com nossas prioridades”, disse ele ontem em uma conferência telefônica com analistas. O negócio deverá ser concluído no terceiro ou quarto trimestre de 2016 e está sujeito às aprovações antitruste.

No fim do ano passado, a Pfizer comprou a Allergan por US$ 150 bilhões, mas as duas companhias se separaram em abril, depois que a administração Obama impôs novas regras à combinação proposta.

Read já disse que a Pfizer vai decidir até o fim do ano se divide ou não a companhia em duas, com uma dedicando-se à venda de medicamentos com vendas em acelerado crescimento, como o Ibrance, e a outra dedicando-se à venda de medicamentos que perderam a proteção de patentes – uma medida que vem sendo discutida frequentemente nos últimos anos.

O diretor financeiro Frank D’Amelio disse ontem que o negócio com a Medivation “não vai impactar a timing de qualquer decisão” de desmembrar a companhia. Analistas vêm afirmando que a Pfizer precisa fazer mais negócios para agregar medicamentos protegidos por patente, se esse lado da companhia quiser desenvolver a massa crítica de receita de que precisará para operar por conta própria. O combate ao câncer é um dos maiores mercados da indústria farmacêutica, com vendas mundiais que chegam a US$ 80 bilhões por ano e vêm crescendo mais de 10% ao ano, segundo a EvaluatePharma.

Apesar dos altos preços, com frequência superando os US$ 100 mil ao ano por paciente, as companhias não estão enfrentando os desafios apresentados pelos direitos de reembolso que estão limitando as vendas de novos medicamentos para outras doenças. A Medivation é uma das poucas companhias independentes de biotecnologia com um tratamento contra o câncer já aprovado e que está vendendo bem. O executivo-chefe, David Hung, diz que decidiu fundar a companhia em 2003 após ver uma paciente de 28 anos com câncer no seio morrer durante sua pós-graduação em oncologia.

A Medivation passou a ser assediada após a farmacêutica Sanofi ter feito uma proposta não solicitada de US$ 52,50 por ação, em dinheiro, que a companhia de biotecnologia rejeitou em abril, alegando que a oferta não dava o devido valor à companhia. As ações da Medivation chegaram a ser negociadas a US$ 26,41 em fevereiro.

Após a proposta da Sanofi, uma guerra de lances se seguiu. Com o acordo com a Pfizer, a Medivation está conseguindo mais que o dobro dos US$ 6 bilhões que foi avaliada este ano. Ontem, a Sanofi disse que via benefícios num potencial negócio com a Medivation, mas observou que “somos, antes de mais nada, um comprador disciplinado e continuamos comprometidos com os melhores interesses dos acionistas da Sanofi”.

Fonte – Valor Econômico

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