Assim como ocorreu no ano passado, 2015 tem sido extremamente profícuo no terreno das fusões e aquisições para a indústria farmacêutica global. No mais recente lance, a gigante americana Pfizer, dona do Viagra, e a Allergan, fabricante do Botox, chegaram a um acordo de fusão avaliado em cerca de US$ 160 bilhões, que dará origem à maior farmacêutica do mundo em vendas. Trata¬-se da maior transação da história, oficializada recentemente.

A mesma Pfizer, no início de setembro, já havia anunciado a conclusão da compra da Hospira , líder mundial no fornecimento de medicamentos injetáveis e tecnologias de infusão e em biossimilares. À época do fechamento da transação, de US$ 17 bilhões, o principal executivo da Pfizer, Ian Read, admitiu que a empresa seguia avaliando outras oportunidades de aquisição.

Laboratórios brasileiros também se movimentaram ao longo deste ano, porém sem as grandes cifras registradas no passado. O Laboratório Cristália, por exemplo, comprou em setembro a Latinofarma, farmacêutica nacional especializada em produtos para cuidados com os olhos cujo faturamento anual gira em torno de R$ 90 milhões. O valor do negócio não foi revelado.

A Eurofarma, por sua vez, fechou a compra da fábrica do laboratório francês Sanofi na Argentina. O valor da aquisição não foi relevado, mas segundo o site argentino especializado em informações sobre o setor farmacêutico Pharmabiz, a operação envolveu desembolso de US$ 18 milhões e acordo de produção terceirizada para a própria Sanofi, que deixa de ter unidades fabris naquele país.

Ainda na indústria nacional, a Hypermarcas, uma das maiores farmacêuticas do país, vendeu sua divisão de fabricação e comercialização de cosméticos para a multinacional Coty por R$ 3,8 bilhões. Com a operação, a Hypermarcas direciona integralmente seu foco ao negócio de medicamentos, mas, na avaliação de alguns analistas, também torna a companhia mais atraente a eventuais compradores estrangeiros da área farmacêutica.

Em relatório do início do mês, o analista Marcel Moraes, do Deutsche Bank, escreveu que, com a venda da divisão de beleza e diante da desvalorização do real frente ao dólar, “a Hypermarcas torna¬se mais palatável a farmacêuticas estrangeiras dispostas a investir no mercado de alto crescimento de genéricos e no lucrativo mercado brasileiro de OTC [isentos de prescrição]”. “Apesar de acreditarmos que as chances de um potencial negócio tenham crescido, o horizonte de tempo permanece bastante imprevisível”, acrescentou.

Na indústria, as opiniões se dividem quanto a uma potencial nova rodada de aquisições de laboratórios no país. Do lado daqueles que veem margem para novos lances, os argumentos mais fortes são o impacto do câmbio nas operações fechadas em real e a perspectiva de crescimento sustentado do mercado doméstico de medicamentos. Na outra ponta, aqueles que não apostam em uma nova onda destacam que os múltiplos elevados das últimas operações, de mais ou menos 15 vezes o Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização), afugentam potenciais compradores.

No ano passado, segundo o Firepower Index, levantamento anual da EY (exErnst & Young) que mede a capacidade das empresas farmacêuticas em financiar fusões e aquisições, a arrecadação com negócios dessa natureza subiu para mais de U$ 200 bilhões.

“Grandes farmacêuticas voltaram a fazer negócios em 2014 gastando quase U$ 90 bilhões com fusões e aquisições. Seus principais negócios visaram a aquisição de empresas fora de seu negócio principal e focadas no desenvolvimento de terapias para doenças crônicas, como câncer eDIABETES “, informou a EY. Os laboratórios especializados, por sua vez, aplicaram mais de U$ 130 bilhões em novas aquisições.

Para 2015, a expectativa da consultoria era de que o ano fosse “desafiador e altamente competitivo para empresas que desejam crescer por meio de aquisições, uma vez que elas enfrentarão a escassez de oferta e um aumento na competição”.

Fonte – Valor Econômico

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