O vice-presidente Executivo e Chief Financial Officer (CFO) da Ferring Pharmaceuticals, Peter Wilden, esteve no Brasil para compromissos com a equipe brasileira da empresa e reuniões com gestores da Aché no que condiz à parceria entre eles em pesquisas de nanotecnologia. Durante a visita, Peter falou sobre as expectativas da companhia no Brasil.
Segundo ele, a crise econômica e política não afeta os planos para o Brasil. “Temos visto alguns altos e baixos no passado, mas acreditamos que em longo prazo a perspectiva é positiva. E qualquer economia tem seus altos e baixos. As companhias e gestores brasileiros têm grande capacidade de gerenciar seus negócios durante as crises. Essa é uma qualidade importante”, pontuou.

Entre os planos para o Brasil está a estruturação do 12º centro de inovações da farmacêutica, primeiro no hemisfério sul bem como a de uma fábrica de medicamentos. Este centro de inovação será composto de três laboratórios, sendo um para estudo de estabilidade, outro dedicado à formulação e um terceiro de metodologia analítica para controle de qualidade. Peter revelou que este centro será capacitado, inclusive, para participar de pesquisas clínicas nas fases I, II e III. “Inaugurar aqui um centro de inovações é a continuidade do foco que temos dado ao Brasil durante muitos anos. Nosso chairman já visitou o país algumas vezes e está desenvolvendo o trabalho com a equipe de gerentes da empresa. Todos enxergamos o Brasil como um mercado muito interessante, com o qual estabelecemos uma relação de longo prazo”, garantiu.

A intenção de ter uma planta no país é algo dado como certo, em médio prazo. “Certamente podemos pensar numa fábrica de medicamentos da Ferring no Brasil. O que pode acontecer também através da aquisição de alguma empresa existente. Vai depender dos resultados das nossas pesquisas aqui”, explicou.

O executivo fez questão de reforçar o quanto o Brasil é um mercado estratégico para a Ferring. “Para começar, temos mais de 200 milhões de habitantes aqui. É uma população significativa. Se olharmos o mercado farmacêutico, as autoridades brasileiras têm um dos mais altos padrões, não só na América Latina, mas também em comparação aos reguladores americanos e europeus. Estamos convencidos de que se conseguirmos tornar uma tecnologia viável no Brasil, teremos fácil acesso aos demais mercados do mundo. Ou seja, uma aprovação da Anvisa indica que conseguiremos aprovações em outras partes do mundo pelos altos padrões na regulamentação brasileira”, argumentou.

Parceria com Aché Laboratórios

A parceria é destinada ao desenvolvimento de plataformas tecnológicas que visam melhorar a disponibilidade dos medicamentos no organismo, transformando, por exemplo, princípios ativos que hoje são formulados em produtos injetáveis em formulações que poderão ser administradas por via oral, de forma mais prática e indolor. As pesquisas nesta área proporcionam a redução de efeitos adversos, o aumento da aderência do paciente ao tratamento e a comodidade na administração posológica.

No início de 2017, um laboratório conjunto de P&D, batizado de Nanotechnology Innovation Laboratory Enterprise (NILE), financiado por ambas as empresas e administrado por um comitê diretor conjunto, será construído no Instituto de Ciências Tecnológica do Aché, no Núcleo de Inovação Incremental em sua fábrica em Guarulhos (SP). O laboratório irá explorar a nanotecnologia para sistemas de liberação de fármaco, que é o mecanismo pelo qual o medicamento é disponibilizado no organismo.

A formatação da parceria levou mais de um ano. “Encontramos um parceiro aqui no Brasil que tem a mesma visão que nós temos. É um investidor da indústria, com programas de pesquisa e desenvolvimento que demandam uma visão de longo prazo. Estivemos em conversas com eles durante um bom tempo. Nosso diretor científico, Alan Harris, esteve em contato com eles por mais de um ano. E vimos um forte comprometimento com a inovação na Aché. Estamos muito confiantes tanto em relação às pessoas que trabalham lá, como no espírito que eu vi na empresa. Esse é um passo bastante interessante em inovação para o grupo Ferring. Nossa parceria com a Aché está focada em nanotecnologia. Mas também estamos atentos a abordagens alternativas. A parceria está apenas começando. Sinto que temos um potencial grande de crescimento”, prevê ele.

Peter revela que a intenção da Ferring é intensificar a colaboração com cientistas no Brasil. “Certamente vamos procurar parcerias com universidades  e outras entidades nacionais. Não só em nanotecnologia como também no desenvolvimento de formulação, da forma de apresentação do medicamento. Um dos nossos objetivos-chave  é estabelecer uma plataforma tecnológica do grupo no Brasil”, apontou.

Fonte – Snif Brasil

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