As farmácias estão diversificando para conquistar clientes. Elas começam a investir nas chamadas “salas clínicas”, espaços para a prestação de serviços ligados à saúde (medição de glicose e pressão) e vacinas. Além disso, ampliam as áreas de vendas de produtos de higiene e beleza, que já respondem por mais de 30% da receita do setor. A Associação Brasileira das Farmácias (Abrafarma) vê que o potencial de faturamento com a aplicação de vacinas é de R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões ao ano. O segmento faturou em 2017 mais de R$ 44 bilhões e conta com 7,2 mil lojas.

“Trabalhar com outros produtos é fundamental na estratégia da farmácia. É o que ajuda no resultado porque a margem no medicamento é controlada. Ajudamos a ter um cliente mais consciente, e isso ajuda no consumo”, afirma Sergio Mena Barreto, presidente executivo da Abrafarma.

As farmácias viram que é possível acompanhar o histórico do cliente, ver se ele está cumprindo o tratamento médico, diz. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em seis meses, metade dos pacientes abandona o tratamento.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitiu no fim do ano passado que as farmácias aplicassem vacinas. A expectativa é que o preço fique abaixo do que é cobrado por clínicas e laboratórios, que costuma superar os cem reais.

Um desses serviços é a Onofre Clinics, que está presente em mais da metade das 44 unidades da Onofre, que é controlada pela americana CVS. Mathias Adorno, diretor de operações da empresa, afirma que entre os serviços prestados estão aferição de pressão, testes de glicemia e, em duas unidades, oferta de vacinas (gripe, HPV e tríplice viral):

“Isso é algo que já existe na CVS, que é uma estratégia de cuidar da saúde de uma forma mais ampla. Não é só vender uma caixa de remédio. É dar um apoio maior, em especial aos pacientes crônicos”, explica.

Nesse acompanhamento, há orientação sobre a forma correta de tomar os remédios, em especial para os clientes que precisam de vários comprimidos por dia. São serviços que custam a partir de R$ 5, mas a Onofre também planeja desenvolver pacotes para os clientes com demanda maior.

“Na média, um terço do faturamento vem de não-medicamentos, especialmente produtos de beleza”, conta Adorno.

Patriciana Rodrigues, vice-presidente comercial da Pague Menos, rede com mais de mil lojas no país, afirma que, em algumas regiões, a participação de outros produtos chega à metade da receita. A empresa deu início ao Clinic Farma, que oferece assistência e acompanhamento, como dicas para o combate ao tabagismo, monitoramento de pressão e glicose e aplicação de vacinas. Os valores variam de acordo com a localidade, tendo início em R$ 3. São 730 unidades com esses serviços:

“Você fideliza o cliente com um bom atendimento. Ao oferecer uma cesta de produtos e serviços, ele acaba voltando mais. É o conceito de one stop shop.”

A vacinação começou em junho na Drogaria Venâncio, dentro do programa Mais Saúde. A rede investiu em um sistema em que o histórico fica disponível on-line e pode ser consultado em qualquer unidade. Dessa forma, é possível ver se ele está acompanhando o tratamento. Os serviços custam a partir de R$ 5. Em alguns pontos, a empresa também concentra as atenções na venda de outros produtos, que na rede chega a 35% do faturamento. Um dos exemplos é a loja da avenida Nossa Senhora de Copacabana.

“Nessa loja temos consultoras que são treinadas para cada área. Também vamos oferecer especialistas na área de produtos para bebês”, disse Marcos Fernandes da Silva, gerente de compras da Venâncio.

Fonte – O Globo – Rio de Janeiro

 

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