A farmacêutica francesa Bioderma volta às farmácias brasileiras decidida a disputar as primeiras colocações da categoria de proteção solar e a dobrar o faturamento em 2016, para R$ 40 milhões. Seus dermocosméticos escassearam das prateleiras a partir de 2013, quando interrompeu a parceria de distribuição com a brasileira Eurofarma, com o intuito de criar sua própria filial no país. O processo para obter licenças sanitárias demorou mais que o previsto e os negócios foram retomados em maio.

Os dermocosméticos se diferenciam de outros produtos de beleza por serem vendidos exclusivamente em farmácias, muitas vezes com receita médica. Em 2004, primeiro momento da marca no Brasil, a Eurofarma licenciou o portfólio de proteção solar e tratamento de acne da Bioderma. A linha de proteção solar Photoderm chegou a ocupar a quinta colocação do setor. Até o primeiro semestre de 2014, ainda era possível encontrar alguns produtos da marca em drogarias, devido ao estoque remanescente da Eurofarma, mas a companhia foi perdendo espaço em uma das categorias mais disputadas do país.

O Brasil é o segundo maior mercado de dermocosméticos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O setor movimentou R$ 3,3 bilhões nos doze meses até outubro de 2015, aumento de 15%, segundo a IMS Health, com crescimento superior à média de 11% no canal farma. O segmento é disputado por grandes marcas internacionais como La Roche Posay, Galderma, Stiefel e Vichy. “Criou¬se uma ideia de ruptura no negócio da Bioderma, mas não era nosso plano”, afirma Maurilio Teixeira, diretor¬geral da empresa no Brasil. “A parceria, na verdade, foi tão boa que decidimos tocar o negócio com nosso próprio controle e investimento”, acrescenta.

A empresa iniciou a distribuição própria de produtos para tratar acne, peles sensíveis e proteção solar, incluindo o demaquilante Sensibio, um dos principais carros¬chefe. A empresa vai se posicionar como marca premium, mas com preço cerca de 10% inferior às líderes de mercado, diz Teixeira. A controladora francesa deverá investir na operação brasileira sem que esta tenha a obrigação de gerar lucros nos três primeiros anos.

A Bioderma tem parcerias com redes de farmácias como Raia Drogasil, Drogaria São Paulo e Iguatemi. A empresa atua com 30 representantes de vendas, dedicadas principalmente a visitar dermatologistas. Os produtos são importados de Lyon, na França, e a companhia detém um centro de distribuição e um fornecedor logístico no Brasil. Como a pele da brasileira é mais oleosa e o clima é mais quente, as fórmulas foram adaptadas ao país.

Em 2015, primeiro ano de operação da marca, a Bioderma espera atingir faturamento de R$ 20 milhões. Em 2016, a companhia prevê alcançar vendas de R$ 40 milhões, sendo que a introdução de produtos ao portfólio representará 80% do crescimento e o restante é atribuído à expansão do setor de dermocosméticos, que tende a manter avanço de dois dígitos em 2016.

Fonte – Valor Econômico

Compartilhe esta matéria