O grupo farmacêutico Cimed, que está entre os cinco maiores do país, considerando-­se também a distribuição própria de medicamentos, pretende repetir o desempenho verificado nos últimos quatro anos e dobrar de tamanho até 2020. A meta é alcançar R$ 2 bilhões em faturamento, depois de alcançar o primeiro bilhão de reais em 2017, quando completa 40 anos de história.

Os esforços para atingir esse objetivo já estão definidos, diz o presidente da Cimed, João Adibe Marques. Em investimentos na ampliação da capacidade produtiva da fábrica de Pouso Alegre (MG), serão R$ 100 milhões. O grupo entrará ainda em dois novos mercados, o de dermocosméticos e o de medicamentos de prescrição, e ampliará a presença nas grandes redes varejistas. “Dobramos de tamanho nos últimos quatro anos. Vamos dobrar outra vez”, afirma. A empresa tem crescido 20% ao ano. Ainda como parte da estratégia, um grupo de 110 profissionais da farmacêutica com postos de liderança, os chamados multiplicadores, se reuniu por uma semana em Portugal para conhecer o plano de crescimento e a nova identidade dos medicamentos genéricos e equivalentes.

Nos próximos três meses, esse grupo vai trabalhar em cada área da farmacêutica e debater novas ideias para os 50 principais produtos, que hoje respondem por 50% das receitas. “Estão todos muito engajados”, diz Marques. Dentro da Cimed, informa o empresário, a meta estabelecida para 2020 ganhou tamanha adesão que acabou ofuscando outro feito, que deve ser o faturamento de R$ 1 bilhão deste ano ­ esse número passou a ser visto como parte do caminho até os R$ 2 bilhões do fim da década, que deram origem à hashtag #2bi20. A chegada ao segmento de dermocosméticos está prevista para ocorrer neste ano, enquanto o lançamento de uma linha de medicamentos sob prescrição médica, com 40 produtos, foi fixado para o próximo ano. A equipe comercial da nova linha, porém, começa a ser montada no segundo semestre, com a contratação de mais de 100 profissionais para atuação na área de propaganda.

Outro trunfo do grupo é o pipeline de registro de novos produtos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cujo prazo de aprovação “está se aproximando”, na avaliação de Marques. São 150 medicamentos, e mais 400 apresentações, com foco em genéricos.

Nesse segmento, o potencial do Brasil é grande. Hoje, a participação dessa categoria de remédios corresponde a pouco mais de 30% das vendas do setor farmacêutico. Em países desenvolvidos, esse índice pode chegar a 70%. Segundo Marques, apesar do aprofundamento da crise política e econômica no país em 2016, o ano anterior foi relativamente mais difícil para os negócios do grupo farmacêutico.

Em 2015, a companhia concentrou forças para colocar a casa em ordem, com a integração das diferentes áreas de negócio, o que teve reflexos no balanço financeiro. E, assim como em 2014, naquele ano também não houve distribuição de bônus no grupo. No ano passado, porém, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 29%, para R$ 25,6 milhões, e todos os funcionários da Cimed, informou ele, receberam bônus. Em relação ao ambiente de negócios em 2017, Marques é otimista. “Já chegamos ao fundo do poço”, afirma, referindo­-se ao cenário macroeconômico. Ao mesmo tempo, avalia que um novo modelo de administração pública, que tem como representante o prefeito paulistano, João Doria (PSDB), renova as esperanças em relação à política. “O político gestor do Doria é o que o brasileiro quer”, afirma.

Especificamente na indústria farmacêutica, Marques comemora o fato de a Cimed não ter sofrido com a alta da inadimplência que afetou outros setores e ter adotado estratégias que a permitiram crescer apesar do acirramento da concorrência ao longo do ano passado. Neste ano, o câmbio, que pressionou os custos com insumos farmacêuticos importados pela indústria brasileira, parece ser um problema menor do que o enfrentado no ano passado.

E as vendas de medicamento no varejo devem continuar crescendo, algo entre 8% e 10%, ainda abaixo de dois dígitos, mas com fôlego considerável relativamente a outras indústrias, ressalta Marques.

Fonte – Valor Econômico

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