Agora no seleto grupo das cinco maiores farmacêuticas do país por vendas em unidades, o grupo Cimed quer chegar ao topo do ranking da indústria e pretende ganhar posições com a compra de outras empresas. “Nosso DNA sempre foi comprar. Mas não queremos um negócio pequeno”, avisa o presidente João Adibe Marques. Nessa linha, o grupo tem interesse declarado em pelo menos dois pesos-pesados do segmento de genéricos, Medley e Teuto.

Antes mesmo da aquisição pretendida, a Cimed já subiu várias colocações no ranking da indústria. Nos últimos 15 meses, conta João Adibe, profissionais do grupo farmacêutico e da IMS Health, que audita o mercado farmacêutico, debruçaram-se sobre os números do grupo para contabilizar também as vendas às farmácias feitas via distribuição própria.

Como resultado, houve incremento de mais de 130% no volume vendido considerado pela IMS e a farmacêutica passou da 11ª posição para a 4ª colocação em abril, com 207 milhões de unidades vendidas em 12 meses, atrás de EMS, Hypermarcas e Sanofi. “Já sabíamos do nosso tamanho real. Mas o mercado, não”, diz João Adibe.

A adição desse volume também teve impacto no tamanho do mercado brasileiro de medicamentos, que subiu 3,3% em relação ao número calculado anteriormente, para 3,59 bilhões de unidades comercializadas no varejo em 12 meses até março. No ranking por receita, calculada pelo preço lista do medicamento (PMB), a Cimed passou de 21ª colocada para 7ª maior, com R$ 2,345 bilhões. O novo cálculo também revelou que o grupo tinha em abril seis produtos entre os 15 mais vendidos no país, com destaque para o antiinflamatório Cimelide, que ocupa a 2ª posição.

O trabalho de auditoria contribuiu ainda para o grupo ajustar sua estratégia comercial. Conforme João Adibe, a análise apurada dos números mostrou que apenas 15% dos negócios da Cimed estão nas redes ligadas à Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). Como essas lojas representam cerca de 60% do mercado de medicamentos, o laboratório vê grande potencial de expansão de vendas nesse canal.

No início de 2014, o grupo, que tem em seu portfólio medicamentos, cosméticos e suplementos vitamínicos, definiu que a principalAPOSTA , dali por diante, seria feita no mercado de medicamentos e lançou a One Farma, que hoje é tratada como divisão farmacêutica. A primeira experiência com a nova empresa foi feita no Nordeste e, em três meses, as vendas de medicamentos se igualaram ao que estava previsto para um semestre.

No fim do ano, a One Farma foi lançada nacionalmente. Em 2016, as vendas do grupo vão acumulando alta de 20% na comparação com o primeiro semestre de 2015 e a meta é encerrar o ano com esse mesmo ritmo. Na divisão farmacêutica, o crescimento é de 25%. Ao mesmo tempo em que dará continuidade à estratégia comercial que proporcionou crescimento de dois dígitos nas vendas, a Cimed quer ganhar escala via aquisições. Hoje, a fábrica do grupo está plenamente ocupada e não poderia absorver a produção de novos produtos. Instalada em Pouso Alegre (MG), a unidade foi ampliada recentemente, como parte do investimento de R$ 60 milhões que incluiu também a inauguração de uma nova gráfica, onde a Cimed produz suas próprias embalagens.

“Não temos receituário, dermocosméticos e genéricos”, diz o empresário. ao ser questionado sobre potenciais alvos do grupo. O presidente admite que está olhando o Teuto, sexto maior laboratório em unidades vendidas e fabricante de genéricos que tem como acionistas a família Melo (com 60%) e Pfizer (com 40%). Os sócios já teriam contratado o BTG Pactual e o Goldman Sachs, respectivamente, para assessorá-los na venda.

Diz ainda que admira a Medley e poderia buscar uma aproximação com a dona do laboratório, a francesa Sanofi. “Medley é um ativo que interessa, por ser uma marca muito relevante”, explica. Conforme João Adibe, até agora, não houve nenhum contato com os franceses. Há duas semanas, quando circularam informações sobre uma possível venda de seu braço de genéricos, a Sanofi disse que em nota que “não confirma que a Medley esteja à venda” e afirmou ainda que a empresa “ocupa papel fundamental nos planos de negócios” no país.

O grupo também quer ter presença em dermocosméticos, via aquisição ou com o lançamento, já em 2017, de uma linha própria de produtos. “Seja como for, vamos entrar nesse segmento no ano que vem”, diz João Adibe, cuja família tem tradição na indústria farmacêutica nacional. Ex-piloto da Stock Car, João Adibe é sobrinho dos irmãos Castro Marques donos da Biolab e da União Química, que acabam de resolver um litígio societário envolvendo participações cruzadas nos laboratórios que se arrastou por quase uma década.

Fonte – Valor Econômico

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