A despeito da crise, a Bayer decidiu manter em 2016 os investimentos nos mesmos patamares deste ano, quando colocou R$ 213 milhões em suas operações no Brasil. Os aportes do ano que vem, porém, são defensivos: não representam expansão dos negócios brasileiros.

De outro lado, o país acaba de subir ao posto de terceiro maior mercado global em faturamento para a gigante farmacêutica, ficando atrás apenas de Estados Unidos e Alemanha. É conseqüência da separação da divisão de polímeros da companhia, que em setembro abriu capital em Bolsa, passando a se chamar Covestro. O foco, agora, fica em ciências para a vida, medicamentos e área agrícola.

“O Brasil foi escolhido como um dos seis mercados chaves para a Bayer em todo o mundo. Isso se traduz em maior engajamento nos projetos de pesquisa e desenvolvimento. É um mercado importante em medicamentos e ciências agrícolas”, explica Kemal Malik, diretor global de Inovação do grupo alemão.

FATURAMENTO 18% MAIOR EM 2014

Até o terceiro trimestre deste ano, a unidade brasileira apresentou crescimento de dois dígitos, afirma Theo van der Loo, à frente da operação.

“Na divisão farmacêutica, o impacto da crise é grave, principalmente porque os preços dos medicamentos têm reajustes abaixo da inflação. Como focamos prioritariamente em inovação, nossos resultados são positivos e estão acima da média do mercado”, diz Van der Loo, sem revelar valores. No ano passado, a Bayer Brasil bateu R$ 8,3 bilhões em faturamento, avanço de 18% em relação a 2013.

Para Malik, inovar garante resultados em um mercado que pede investimentos robustos em pesquisa e desenvolvimento — só este ano, a área terá aporte global de € 4 bilhões —, enquanto o tempo para recuperar esses valores é curto: “Uma nova substância leva até 15 anos para chegar ao mercado. A companhia tem em média dez anos para recuperar o investimento nessa substância antes da quebra de patente. É preciso gerar recursos para investir em mais inovação, daí o impacto dos preços no processo.”

Para manter o fôlego financeiro, a Bayer lança medicamentos de elevado padrão e complexidade a cada cinco anos, em média. O faturamento dos cinco últimos grandes lançamentos (Xarelto, Xofigo, Adempas, Eylia e Stivarga) foi de € 1,5 bilhão em 2013. No ano seguinte, totalizaram € 2,9 bilhões em vendas. A previsão é que, juntos, cheguem a um faturamento de € 7,5 bilhões nos próximos anos.

“Sem inovação, o mercado não cresce e não surgem os genéricos. Mas o custo é alto. O Xarelto, sozinho, recebeu aporte de € 2,2 bilhões. Para ser um processo sustentável, a média precisa ficar em € 1 bilhão”, diz Malik, acrescentando que há dois anos a Bayer já trabalha em cinco grandes lançamentos.

O Brasil teve sua participação nas pesquisas da Bayer ampliadas. Este ano, dobrou para cem o número de instituições que integram 23 estudos clínicos em 150 centros de pesquisa no país. Os estudos já incluem mais de 3.700 brasileiros. No total, o grupo mantém três fábricas, duas em São Paulo e uma no Rio, somando perto de cinco mil funcionários. Além disso, o país é um dos quatro centros de farmaco-vigilância da Bayer no mundo.

A principal atividade da empresa no Brasil, contudo, está no segmento de ciências agrícolas e sementes (CropScience). A divisão responde por 66% do negócio e representou R$ 5,46 bilhões do faturamento da unidade brasileira em 2014.

No mês passado, a Bayer inaugurou os Laboratórios de Monitoramento de Resistência a Fungicidas, Herbicidas e Inseticidas, e o Centro de Tecnologia de Aplicação em Paulínia, São Paulo. Com um investimento de R$ 22 milhões, o foco é pesquisar novas tecnologias e ampliar o potencial produtivo das lavouras.

“O Brasil é o segundo maior mercado da divisão de ciências agrícolas e sementes da Bayer, atrás dos Estados Unidos. Com a crise, porém, tanto Brasil quanto Argentina vivem um ciclo de baixa”, explica Van der Loo.

Fonte – O Globo

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